07/10/2026
FOMOS ATÉ AOS AÇORES CONVERSAR SOBRE UM MUNDO “SEM ESPARTILHO”
Entre 29 setembro e 1 outubro, o projeto artístico “Sem Espartilho”, de Sofia de Medeiros e Nina Medeiros, levou-nos até Ponta Delgada para três dias de conhecimento, descoberta, reflexão, criatividade e, acima de tudo, ENCONTRO, numa parceria que também incluiu o Museu Carlos Machado, integrada na programação de Ponta Delgada 2026 - Capital Portuguesa da Cultura.
Antes da inauguração da exposição, fomos ao encontro de crianças e jovens das freguesias da Candelária, Santo António e Fenais da Luz, através de três oficinas criativas itinerantes.
🔍 História e a Reflexão
Os participantes puderam observar e explorar espartilhos da coleção didática do MNT, numa apresentação preparada por Dina Caetano Dimas sobre a história desta peça e os modos como foi usada ao longo do tempo.
Para que servia? Como era feito? Era usado apenas por mulheres? E pelas crianças? E pelos homens? Que efeitos tinha sobre o corpo? Usava-se sempre escondido por baixo da roupa? Ainda usamos espartilhos?
Mas a conversa foi mais longe: que outros “espartilhos” continuam hoje a ser-nos impostos? E quais impomos a nós próprios? A história do traje foi, assim, motivo de reflexão sobre o corpo, a identidade, os padrões e a liberdade.
🎨 Da Reflexão à Criação
Na segunda parte das oficinas, com orientação de Sofia de Medeiros, a reflexão transformou-se em criação. Numa sessão, roupa em segunda mão ganhou novas vidas através do upcycling; noutras sessões, formas recortadas em feltro e inspiradas em peças do MNT deram origem a composições coloridas e multiformes.
👗Exposição
Em paralelo, no Museu Carlos Machado, decorria a montagem da exposição, num clima colaborativo entre equipas dos museus e artistas.
Depois da primeira apresentação no Museu Nacional do Traje, em 2025, “Sem Espartilho” ganha agora uma dimensão mais ampla na terra natal das artistas, estabelecendo um diálogo entre as suas esculturas e a videoarte, peças do MNT e do Museu Carlos Machado. Entre as peças deste museu açoriano destaca-se o tradicional capote e capelo, que evoca a ocultação do corpo feminino, mais uma forma material e simbólica de o “espartilhar”.
A exposição ganha ainda maior significado por ocupar um antigo convento de clarissas de clausura. O espaço torna-se, assim, uma metáfora do espartilho: um lugar marcado pela submissão a regras e limites. O ferro dos gradeamentos dialoga com o das esculturas, a videoarte e estruturas dos próprios espartilhos. Entre paredes que delimitaram vidas, “Sem Espartilho” abre espaço à reflexão sobre liberdade, corpo, identidade e limites, visíveis ou invisíveis, que a sociedade constrói em torno de cada um de nós.
No dia 1 de outubro, este percurso culminou na da exposição, com a presença de representantes das instituições parceiras – João Paulo Constância (Diretor do Museu Carlos Machado), Dóris Santos (Diretora do Museu Nacional do Traje), Kátia Guerreiro (comissária programação Ponta Delgada 2026) e das artistas Sofia de Medeiros e Nina Medeiros, entre vários convidados.
🤝 F**a um agradecimento especial à equipa do Museu Carlos Machado, às artistas e a todos os que nos receberam nos Açores de forma tão calorosa e fizeram destes dias uma verdadeira experiência de partilha.
➡️ Viver “Sem Espartilho” talvez seja também isto: questionar o que nos limita, criar espaços de liberdade e aprender a respeitar a diversidade dos corpos, das identidades e das formas de estar no mundo.
📍 Sem Espartilho
Núcleo de Santo André | Museu Carlos Machado – Ponta Delgada
📅 Patente até 1 de novembro
📅 Terça a domingo | 9h30 às 17h30