08/07/2026
João Gomes de Abreu
1974—2026
Fundou e dirigiu o Museu da Paisagem com a vontade férrea de divulgar o espaço português e de cruzar registos e conhecimento sobre as transformações do território. Os dias eram sempre curtos para o seu espírito explorador e inquieto, mas conseguiu graças à sua inesgotável criatividade e energia deixar uma notável produção editorial e de investigação que constitui um contributo incontornável para o registo e reflexão sobre a paisagem portuguesa.
A sua natureza agregadora, generosa e o desapego com que se entregava a cada projeto, marcou todos os que com ele trabalharam e se cruzaram no seu caminho. Deixa-nos a mais bela prova do que significa dedicar a vida ao bem comum.
“[A paisagem] implica um outro olhar sobre o mundo que nos rodeia: um olhar não centrado no ponto, no objeto, no espécime ou no indivíduo, mas sim nas ligações entre eles. Como se tudo estivesse ligado por um fio e o nosso olhar fosse percorrendo essa linha e reconstruindo a complexa rede de interações, que permite formar um entendimento completo da paisagem. (...) Pouco habituados a ler o invisível em vez do visível, não será fácil aos leitores iniciar este processo de interpretação. Como começar a leitura? Qual a primeira página e o primeiro parágrafo? Na verdade, não há apenas uma leitura, mas sim tantas quanto o número de leitores. (...) Deste modo, podemos afirmar que a paisagem começa, aqui mesmo, em cada um de nós.”
João Gomes de Abreu em “Ler a Paisagem: Território Tejo – Itinerários para a interpretação da Paisagem”, 2019
📷 Duarte Belo