10/10/2026
Apontamentos do Contexto Cultural de Loures
“Debates de Etnografia e Etnomusicologia”
Em 1996, o Museu Municipal de Loures, realçou uma vez mais a riqueza de um património assente na diversidade Cultural, respeitando e procurando preservar a identidade, o diálogo, as raízes e a comunidade deste concelho. Este foi o objetivo norteador da exposição de cariz etnográfico intercultural, intitulada “Pelas ruas e lugares de Loures”, com início a 19 de julho de 1996 e término a 16 de março de 1997.
No contexto desta exposição e durante a mesma, realizaram-se três debates no mês de fevereiro de 1997, para dar a conhecer um pouco mais sobre a região de Loures no cruzar dos tempos, povos e culturas que a marcam.
Constitui este apontamento, uma breve abordagem ao primeiro destes três debates que decorreu a 6 de fevereiro de 1997, subordinado ao tema “Debates de Etnografia e Etnomusicologia”, que contou com a participação de José Alberto Sardinha (Etnomusicólogo) e do Pe. Apolinário Guterres (Antropólogo).
Podemos encontrar no Boletim Cultural nº 12 de outubro de 1997, nas páginas 69 e 71, dois artigos da autoria dos ilustres participantes, correspondendo os mesmos a uma súmula da temática abordada no debate de 6 de fevereiro de 1997.
O artigo incluído na referida página 69, “Falando da Viola Portuguesa” de José Alberto Sardinha, fala-nos deste instrumento como um dos mais importantes da nossa tradição musical e de entretenimento das nossas gentes ao longo de séculos, e com possíveis ligações, a outros, de contextos geográficos mais distantes.
Refere ainda que, das violas portuguesas, a que lhe parece “(…) mais arcaica, pela forma, afinação e toque, é a campaniça, característica do Baixo Alentejo. Outrora comum a toda a província, está hoje circunscrita à região ocidental, nos concelhos de Odemira, Ourique e Castro Verde.(…)” (1997).
De seguida, na página 71 do mesmo Boletim Municipal, surge o artigo “Timor, O Canto e a Dança” da autoria do Pe. Apolinário Guterres, onde conclui que “Para os habitantes das aldeias timorenses as festas tradicionais são uma ocasião para demonstrar que ainda existem e partilham entre si a tradição dos antepassados, o que lhes assegura a vida social e familiar, e a transmitem culturalmente às gerações mais novas. A festa tradicional timorense, onde se realiza a tebe, tebedai e bidu, formas mais representativas da música e coreografia timorense, é um meio para estreitar os laços de parentesco e manter a coesão social do grupo. A festa é um símbolo da vida e o canto e a dança são a sua expressão festiva.” (1997)
Para um conhecimento mais abrangente sobre este projeto expositivo e os artigos acima referidos, resultantes do primeiro debate, destacamos as publicações “Pelas ruas e lugares de Loures” e “O Boletim Cultural nº 12 de outubro de 1997 (dossier Loures - DIÁLOGO DE CULTURAS)” ambas editadas pela Câmara Municipal de Loures, e disponíveis para consulta no Centro de Documentação Anselmo Braamcamp Freire – Museu Municipal de Loures – Quinta do Conventinho.
📸 “Etnomusicologias”. Conferência proferida pelos Doutores José Alberto Sardinha e Apolinário Guterres (6 de fevereiro de 1997); Boletim Cultural nº 12 de outubro de 1997, p.67
📸 Ourique: tocador de viola campaniça; Boletim Cultural nº 12 de outubro de 1997, p.70
📸 População do Knua, de Léber, numa ocasião festiva de receção, em pleno tebe, circulo da direita; e tebedai e bidu, circulo da esquerda. Foto de Apolinário Guterres, 1970; Boletim Cultural nº 12 de outubro de 1997, p.73