13/10/2026
𝗘𝗦𝗧𝗔𝗗𝗢 𝗗𝗘 𝗗𝗜𝗥𝗘𝗜𝗧𝗢 𝗗𝗘𝗠𝗢𝗖𝗥𝗔́𝗧𝗜𝗖𝗢: 𝗛𝗔́ 𝗥𝗘𝗚𝗥𝗔𝗦, 𝗘 𝗦𝗔̃𝗢 𝗣𝗔𝗥𝗔 𝗧𝗢𝗗𝗢𝗦
No sábado, a acção «Pelo Porto, Todos ao Bolhão» foi previamente comunicada às autoridades, como a lei exige, recebemos as directrizes que tínhamos de cumprir e decorreu de forma pacífica.
Mais de cem pessoas, de todas as idades, participaram numa sessão participativa de rua para debater a cidade que queremos, e juntaram-se depois no Abraço ao Bolhão.
A contramanifestação, que agressivamente nos interrompeu o Abraço ao Bolhão, não foi comunicada, e impediu a entrada no mercado para as compras, como estava previsto no programa. Por razões de segurança.
Fomos informados que a PSP procedeu à identificação dos promotores e participantes, sem que fosse precisa qualquer formalização prévia de participação nossa. As imagens correram o país, e não dignificam o Mercado do Bolhão nem o Porto. O resto seguirá o seu caminho próprio, nas instâncias próprias.
Ficam, porém, perguntas por responder a quem gere o Mercado do Bolhão.
1. Porque estiveram os vigilantes do mercado ausentes durante toda a contramanifestação, quando um elemento da equipa da Direcção do Mercado assistia, passivamente, a tudo?
2. E quem autorizou a colocação prévia, e a permanência, de cartazes contra a nossa Associação por todo o interior do mercado, num espaço municipal cuja gestão está obrigada à neutralidade enquanto à associação nem um inquérito lhe permitiram entregar?
Num Estado de direito democrático, discordar é um direito. Manifestar essa discordância também. Ninguém é obrigado a concordar com a Bolha de Água, e respeitamos quem pensa de outra forma.
Mas o direito de cada um termina onde começa o direito dos outros. Discordar não é impedir. Contestar não é intimidar. E nenhuma opinião, por mais legítima, dá a ninguém o direito de travar uma manifestação pacífica, de famílias, crianças e idosos, que cumpriu todas as regras.
As regras existem para proteger todos: as que hoje nos protegeram a nós protegerão amanhã quem discorda de nós. É esse o valor da democracia. Por isso as defendemos, mesmo quando custa.
Uma palavra de profunda gratidão a todos os que estiveram connosco ou se fizeram representar, no sábado: cidadãos, clientes do mercado, moradores, colectivos e associações da sociedade civil, representantes de diferentes quadrantes políticos e de todas as idades. Vieram por uma razão maior do que qualquer diferença: na defesa do património portuense, cabem todos. O Mercado do Bolhão tem 187 anos de história e pertence a todos os portuenses.
O nosso foco não muda. Esta foi a primeira vez que nos aventurámos numa iniciativa de rua e foi um ensaio para novas formas de luta.
Não é uma disputa entre comerciantes e não permitiremos que se torne, tanto mais que o Mercado do Bolhão pertence, em primeira linha, ao Porto! Não particularmente aos comerciantes, que vêm e vão.
É a defesa do Mercado do Bolhão como mercado de frescos, municipal, comércio tradicional e dos portuenses, perante quem o gere: a Direcção do Mercado e a Câmara Municipal do Porto.
Com respeito pela opinião contrária. Sempre.
Pelo Porto, todos ao Bolhão! Sempre.