04/09/2026
📜 Afonso do Paço: o homem que fez o campo voltar a falar.
Militar de carreira, arqueólogo por vocação e investigador atento ao que o solo ainda podia revelar.
O Coronel Manuel Afonso do Paço foi uma das figuras relevantes da arqueologia portuguesa do século XX, com trabalho em sítios como as Grutas Artificiais de Alapraia, o Castro de Vila Nova de São Pedro, a Citânia de Sanfins e Villa Cardílio.
Mas em Aljubarrota, o seu olhar ganhou uma importância muito particular.
Em 1958, na sequência de uma descoberta feita durante trabalhos de arranjo junto à Capela de São Jorge, Afonso do Paço iniciou uma investigação arqueológica que se prolongaria até 1960. As escavações revelaram fossos, cerca de 830 covas de lobo e outros vestígios que permitiram compreender de outra forma o dispositivo defensivo português em 1385.
Afonso do Paço não procurou apenas objectos. Procurou compreender o campo.
Para estudar o Campo Militar de São Jorge, reuniu especialistas de diferentes áreas, da antropologia à geologia, da numismática à epigrafia, cruzando ainda a investigação arqueológica com a história militar. Entre os estudiosos que acompanharam este trabalho esteve também o historiador britânico Peter Russell.
O seu trabalho abriu novos caminhos para a compreensão histórica da Batalha Real, mostrando como a leitura das crónicas se enriquece quando é cruzada com o terreno, as estruturas defensivas e a relação entre vestígios, estratégia e espaço. Os achados arqueológicos resultantes das suas investigações integram hoje os conteúdos do CIBA e, em 2020, a família do Coronel Afonso do Paço doou à Fundação Batalha de Aljubarrota o seu espólio arqueológico, textos e anotações.
Neste território, cada vestígio acrescenta uma nova dimensão à História que conhecemos.
E o terreno continua a revelar novas formas de compreender 1385. 🔎