15/09/2020
Bota Abaixo da Lancha Poveira do Alto "Fé em Deus". Ocorreu a 15 de Setembro de 1991, na Póvoa de Varzim, na Lingueta do Salva Vidas. Evento organizado pelo Clube Naval Povoense e Museu Municipal de Etnografia e História da Póvoa de Varzim.
É assim que este festivo e solene lançamento à água da lancha poveira não pode ser entendido, apenas, como a meta do ousado percurso em que todos nos empenhamos. É, precisamente, agora que um novo sonho renasce. A meta está sempre mais além!
A lancha poveira renasceu para navegar. Nos extremos, e quase carinhosos cuidados, diríamos postos na sua construção, residem as promessas de um Futuro vivo e dinâmico para uma Obra capaz de redescobrir as velhas artes de velejar que foram, outrora, o ex-libris da comunidade poveira.
Há-de a Lancha ser a Escola. A escola da memória. A fonte prática desse saber-fazer tradicional que não podemos correr o risco de olvidar, se não quisermos perder, de todo, a identidade cultural que nos distingue e enaltece.
LOPES, Manuel - Lançamento à água da Lancha Poveira (15 de setembro 1991). Póvoa de Varzim: boletim cultural. Póvoa de Varzim: Câmara Municipal, Vol. XXVIII, nº1 (1991), pp. 223-226.
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A lancha poveira do alto é um barco de boca aberta, de quilha, roda de proa e cadaste. Arma uma grande vela de pendão de amurar à proa, com 170 metros quadrados. Como não dispõe de patilhão, um leme alteado assegura essa função. A “Fé em Deus” foi reconstruída segundo normas e modelos tradicionais locais e representa uma das últimas lanchas poveiras a ir ao mar na década de cinquenta do século passado. O início da construção deu-se a 27 de Fevereiro de 1991, com o levantamento da quilha no picadeiro e o bota-abaixo a 15 de Setembro do mesmo ano.
O sonho de voltar a ver a Lancha Poveira a navegar sempre se achou na memória de velhos pescadores, mas a ideia da sua reconstrução deve-se a Manuel Lopes, na altura, director do Museu Municipal de Etnografia e História e da Biblioteca Municipal da Póvoa de Varzim, que lança o repto da sua reconstrução no início dos anos 80 do século passado. Alberto Marta e Silva Pereira, na época Presidentes do Clube Naval Povoense e da Assembleia Geral, estiveram também envolvido e apoiaram incondicionalmente o projecto.
A “Fé em Deus” foi uma das últimas lanchas a deixar o mar nos finais da década de 50. Era propriedade do «velho» arrais «tio» Francisco “Fomenegra”, tendo o seu filho Manuel Fernandes Troina, oferecido a Lancha ao Museu. Em Julho de 1960, abandonaria a praia do pescado. Pela incúria dos homens nunca chegou ao Museu, tendo acabado os seus dias num terreno camarário junto à “Fortaleza”.