27/04/2026
- SPLASH de Carlos Henrich na .lx w
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Carlos Henrich
SPLASH
O sonho de Morfeu*
Por José Sousa Machado
“Depois de tu teres passado por todos os graus da compreensão sensível e da compreensão conceptual, há um momento em que te vais encontrar com a ideia [a ideia enquanto visão] e, então, já não há nem corpos, nem rostos, já não há figura nem ciência nem logos. Aí chegado, tu mergulhas no pélago, no grande abismo, no grande mar da beleza.”
(Platão, “O Banquete” – ‘O discurso de Diotima’, parafraseado e citado por Maria Filomena Molder em “A forma como problema: as nuvens e o vaso sagrado”)
Pretender representar escultoricamente em granito – uma rocha compacta e muito coesa – a dispersão de uma massa de água deslocada por uma pedrada num charco, encobre uma intenção subjacente paradoxal, na medida em que uma tal acção provoca, necessariamente, o conflito directo entre um elemento natural permeável e receptivo, como a água, e uma substância sólida, telúrica, oriunda das entranhas fumegantes da terra, como o granito.
Relevando o carácter lúdico ou pueril em que este confronto de elementos também se observa – sobretudo durante a puberdade dos seres humanos e dos animais, quando testam os seus limites num mundo exterior que desconhecem – esta exposição de Carlos Henrich, intitulada “Splash”, agora patente na Sá da Costa, anuncia algo diferente.
Neste caso, não se trata apenas de pulverizar uma substância material, desagregando-a nos elementos que a constituem, mas antes um acompanhar e descrever o movimento, o ritmo e a dinâmica de uma regressão formal, congelando-a no limite da existência mesma da substância assim fragmentada. Todavia, este processo põe já em obra a verdade de um ente que ainda não foi revelado, mas está almejado de antemão – pois “o saber que permanece um querer, e o querer que permanece um saber é o entregar-se exstático do homem existente ao não-estar-encoberto do ser”, (Heidegger, “A origem da obra de arte” – [51]) e a beleza é o modo como