02/10/2026
A Vespa que voltou para casa
No meu imaginário, tudo começou em 1947.
Um jovem casal português partiu em lua de mel por Itália e, entre ruas estreitas, praças cheias de vida e o cheiro do pós-guerra, apaixonou-se por uma pequena Vespa acabada de nascer para o mundo.
Trouxeram-na para Portugal como quem traz uma recordação de amor. Nela fizeram passeios, visitaram família, atravessaram aldeias e caminhos de pedra. Durante alguns anos, aquela Vespa fez parte da vida deles. Depois, um dia, desapareceu. Talvez tenha sido vendida, talvez tenha ficado esquecida num celeiro, debaixo de umas escadas, tapada por sacos, garrafões e décadas de silêncio.
Os anos passaram. A ferrugem tomou conta da chapa, o banco envelheceu e o brilho desapareceu. Mas ela continuou inteira, guardando dentro de si todas aquelas histórias que ninguém já sabia contar.
Até que, quase oitenta anos depois, o destino resolveu fazê-la aparecer novamente.
E veio parar às minhas mãos.
Não restaurada, não perfeita, não brilhante. Velhinha, cansada e marcada pelo tempo — exactamente como eu gostaria de a encontrar. Porque cada risco, cada ponto de ferrugem e cada pedaço de tinta sobrevivente seria uma página da sua história.
Talvez nunca tenha acontecido assim. Talvez seja apenas um sonho meu.
Mas gosto de pensar que aquela Vespa de 1947 passou uma vida inteira à espera de alguém que não visse nela apenas uma máquina velha…
…mas uma pequena parte da história que merecia voltar a ter casa.
No Minho á noite vou continuar a sonhar com o que gosto.
M — Colecção de Vespas e Objectos ❤️💚