16/10/2026
[Vistas Estereoscópicas]
Nesta nossa rubrica mensal de vistas estereoscópicas, trazemos hoje um estereograma que nos ajuda a redescobrir o Norte da ilha.
No século XIX, registar a beleza dramática de São Vicente era uma verdadeira proeza técnica e física. Numa imagem captada pela Photographia Vicente utilizando o processo do colódio húmido, estes pioneiros da fotografia enfrentaram uma limitação brutal: a placa de vidro tinha de ser sensibilizada, exposta na câmara e revelada no local num curto intervalo de 10 a 15 minutos. Sem estradas no norte da Madeira, isto exigia o transporte de um verdadeiro laboratório ambulante, composto por tendas escuras, câmaras pesadas de fole e químicos perigosos, carregado às costas por veredas íngremes e sinuosas.
O microclima de São Vicente exponenciava o desafio final a esta alquimia. O vento, o nevoeiro repentino e os contrastes extremos de luz entre o céu e as montanhas de Laurissilva testavam os limites dos fotógrafos, onde qualquer grão de poeira ou erro nos segundos de exposição arruinaria a imagem. Por isso, cada fotografia sobrevivente daquela época não é apenas um documento histórico, mas o troféu de uma batalha épica entre o Homem, a química e a natureza indomável da nossa ilha.
PHOTOGRAPHIA VICENTE
Vila de São Vicente, Freguesia e Concelho de São Vicente, observando-se a ribeira em primeiro plano
Segunda metade do séc. XIX
8,3 x 17,1 cm
Negativo estereoscópico, vidro | colódio
MFM-AV, n.º inv. VIC/275
Em depósito na DRABL
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