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18/10/2026

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A MÃO QUE APONTA A PALAVRA: O FASCÍNIO DOS ANTIGOS PONTEIROS DE LEITURA EM BRONZE

Na vasta colecção de objectos que povoavam os altares, mosteiros e bibliotecas da Europa antiga, existem peças que, embora discretas na sua escala, encerram uma enorme densidade simbólica e artística. É o caso deste ponteiro de leitura em bronze com 28 centímetros de comprimento, um objecto cuja sofisticação técnica rivaliza com a sua importância funcional. Longe de ser um mero utensílio utilitário, esta haste finamente cinzelada com motivos vegetalistas e cordames espiralados culmina numa expressiva representação de uma mão humana em gesto indicador. Trata-se de um testemunho material da profunda reverência que o Homem antigo prestava à cultura escrita e ao livro, servindo de elo físico e espiritual entre o leitor e a página. Para compreender a verdadeira dimensão deste objecto, importa analisar o seu enquadramento sob três prismas fundamentais: o seu uso prático na liturgia, o forte simbolismo iconográfico da sua forma e o contexto histórico.

1. O USO LITÚRGICO E A SACRALIDADE DO TEXTO

A principal função deste ponteiro de bronze era guiar os olhos do leitor (um sacerdote, monge ou alto dignitário) pelas linhas de manuscritos densos e iluminados, como missais, evangeliários ou saltérios, colocados sobre o ambão ou uma estante de altar.

Este uso responde a duas necessidades fundamentais na liturgia antiga:

• Preservação e Respeito:
Os livros litúrgicos eram obras de arte raras e caríssimas, escritas à mão em pergaminho (pele de animal) e decoradas com folhas de ouro e pigmentos orgânicos solúveis. Tocar nas páginas com os dedos transferia gordura corporal e humidade, o que degradava a escrita ao longo do tempo. O bronze, sendo um metal nobre e assético, impedia este desgaste.

• Decoro e Solenidade:
O acto de ler a Palavra divina requeria um intermediário ritual. Utilizar um instrumento esteticamente trabalhado em vez do dedo humano elevava o estatuto do momento e destacava a sacralidade do texto que estava a ser proclamado perante a assembleia.

2. O SIGNIFICADO ICONOGRÁFICO DA MÃO INDICADORA (MÃO DE LEITURA)

A terminação em forma de mão humana com o dedo indicador estendido possui uma forte carga simbólica:

• A "Mão de Deus" (Dextera Domini):
Na iconografia cristã ocidental e bizantina, a mão estendida representa frequentemente a ação e a voz de Deus que aponta, ordena e orienta a humanidade. Ao usar este ponteiro, o leitor mimetizava o acto de ser guiado directamente pelo dedo divino através das escrituras.

• Paralelo Inter-religioso:
Embora este formato em bronze com motivos fitomórficos ocidentais (gavinhas e cordas espiraladas) seja típico da tradição litúrgica cristã católica, ele partilha uma raiz funcional idêntica à do Yad (mão, em hebraico) do culto judaico, utilizado exclusivamente para ler os rolos de pergaminho da Torá nas sinagogas. No entanto, os ponteiros cristãos de altar tendiam a ter dimensões ligeiramente mais curtas ou decorações integradas no estilo decorativo da época (como o manuelino, o renascentista ou o barroco).

3. CONTEXTO HISTÓRICO E PRODUÇÃO ARTÍSTICA

• A escolha do Bronze:
O bronze (liga de cobre e estanho) era o metal de eleição para as chamadas "alfaias litúrgicas" ou utensílios de menor porte na hierarquia do altar (quando não se recorria à prata ou ao ouro). A sua maleabilidade permitia aos artesãos cinzelar detalhes microscópicos — como as folhas, as cordas e as unhas da mão indicadora — enquanto a sua dureza garantia que o ponteiro não entortasse com o uso diário.

• Cronologia e Estilo:
A decoração com "motivos vegetalistas e cordas" visível na haste é altamente reminiscente da estética tardo-medieval (séculos XV-XVI), onde o uso de elementos naturalistas e cordames grossos espiralados (muito associados ao estilo manuelino em Portugal) era frequente na arquitectura e nas artes decorativas. No entanto, devido à excelente conservação da pátina e à simetria, a peça pode também datar do século XIX ou início do século XX, período em que o Romantismo e o Revivalismo Histórico trouxeram de volta a produção de objectos neogóticos e neomanuelinos para abastecer igrejas, capelas privadas e coleccionadores de antiguidades.

Em suma, trata-se de um testemunho material da cultura do livro e da erudição religiosa, uma peça onde a funcionalidade prática de proteger a página se fundia com a sumptuosidade artística exigida pelo ritual sagrado.

16/10/2026
OBJECTOS DIGNOS DE NOTAColeccionismoO BRILHO DA TRADIÇÃO: ANÁLISE DETALHADA DE UM CANDEEIRO DE MESA VINTAGE EM CRISTAL L...
15/10/2026

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O BRILHO DA TRADIÇÃO: ANÁLISE DETALHADA DE UM CANDEEIRO DE MESA VINTAGE EM CRISTAL LAPIDADO

No vasto universo das antiguidades e das artes decorativas, poucas peças conseguem aliar de forma tão perfeita a funcionalidade e o requinte como o candeeiro de mesa vintage em cristal lapidado. Frequentemente designado pelos entusiastas e peritos como "lustre de mesa" ou "candeeiro hurricane" com pingentes, este objecto é uma verdadeira celebração do estilo vitoriano, concebido especificamente para transformar a iluminação num espetáculo visual de reflexos.

ANATOMIA E ESTILO DE UMA PEÇA CLÁSSICA

A estrutura deste candeeiro assenta num equilíbrio meticuloso entre três componentes fundamentais, cujo design dita não só a sua estética, mas também a forma como a luz interage com o espaço em redor:

• A Manga ou Chaminé Superior: Feita em vidro amovível, esta secção assume um papel crucial. O seu formato alongado protege a chama ou a fonte de luz contra correntes de ar, enquanto a sua superfície trabalha para difundir o ponto focal de iluminação, transformando um raio directo num brilho suave e elegantemente espalhado.

• O Corpo Central e a Arandela: O fuste (coluna central) ostenta um formato abaloado com facetas verticais espessas que assentam firmemente sobre uma base circular e lisa. Logo acima, a arandela funciona como o anel de suporte decorativo a partir do qual se desdobra o elemento mais dinâmico do candeeiro: os cristais suspensos.

• Os Pingentes Prismáticos (Lustre Prisms): Pendendo graciosamente em redor da coluna, encontram-se vários cristais facetados em formato de lança pontiaguda com arestas polidas e simétricas. Cada um destes pingentes está associado a um pequeno "botão" redondo na extremidade superior, sendo a estrutura firmemente sustentada por arames finos de latão. A sua função técnica vai além do mero adorno; foram desenhados para agir como autênticos prismas óticos, capazes de decompor a luz e projectar os tons do arco-íris nas superfícies circundantes.

A ARTE DO VIDRO: PADRÕES DE LAPIDAÇÃO E TÉCNICAS DE FABRICO

Para compreender a origem e a mestria por trás deste candeeiro, é necessário observar atentamente o minucioso trabalhado do vidro. O principal indicador da sua qualidade artística reside no padrão de lapidação geométrica em losangos (diamond cut ou cross-cut) que ornamenta a secção central inferior da chaminé.

Este padrão não resulta de um molde industrial simples, mas sim de um processo artesanal rigoroso. O mestre vidreiro necessita de pressionar manualmente a peça de vidro contra rebolos rotativos de pedra ou de diamante. Este movimento esculpe sulcos precisos em ângulos cruzados que criam o relevo geométrico.

No que diz respeito ao corpo central, a opção por facetas verticais largas em detrimento de uma ornamentação excessivamente densa serve um propósito claro: realçar a pureza, a espessura e o peso do próprio cristal, conferindo-lhe uma sobriedade que equilibra a exuberância dos pingentes.

ORIGEM, DATAÇÃO E CONTEXTO DE PRODUÇÃO

Embora o conceito destes candeeiros herde a sumptuosidade dos grandes lustres vitorianos dos séculos XVIII e XIX, a sua transposição para modelos de mesa mais compactos e individuais conheceu o seu auge de popularização e produção em larga escala a partir de meados do século XX (entre as décadas de 1940 e 1970). São peças historicamente muito procuradas para complementar a decoração de ambientes clássicos, encimar aparadores de salas de jantar ou servir de destaque em jantares requintados.

Ao analisar o trabalhado e a elegância geométrica deste modelo, a sua proveniência geográfica e histórica aponta para duas grandes e prestigiadas possibilidades:

1. Cristal da Boémia (Atualmente República Checa): Esta região da Europa Central é a legítima detentora do ADN desta técnica de corte cruzado. A produção checa dominou historicamente o mercado de exportação de iluminação cristalina, servindo de inspiração e bitola de qualidade para o resto do continente europeu.

2. Marinha Grande (Portugal): Ao longo do século XX, conceituadas fábricas portuguesas situadas na Marinha Grande — tais como a Fábrica Nacional de Vidros ou a IVIMA — demonstraram uma mestria ímpar ao adaptarem as exigentes técnicas tradicionais francesas e checas. Estas manufaturas locais produziram excelentes candeeiros ricamente lapidados com pingentes, destinados a abastecer o mercado nacional de alta decoração.

A DISTINÇÃO FACE A OUTROS FABRICANTES

É importante notar que, embora marcas de renome mundial como a francesa Baccarat tenham criado peças assentes neste mesmo conceito estrutural (como a famosa linha Baccarat Medallion), os seus modelos tendem a afastar-se desta estética específica. As produções da Baccarat caracterizam-se habitualmente por fustes retorcidos (estilo corda) ou por lapilações com motivos florais densos e orgânicos na chaminé, o que reforça a probabilidade de a peça em análise ser de origem Boémia ou uma interpretação directa da Marinha Grande.

GUIA PARA IDENTIFICAÇÃO E CONSERVAÇÃO

Muitas destas peças de meados do século XX eram originalmente colocadas no mercado com etiquetas autocolantes de papel ou acetato identificativas da marca, que acabavam por desaparecer inevitavelmente com as lavagens e o passar dos anos. Contudo, algumas fábricas de prestígio optavam por gravar uma assinatura circular — muitas vezes minúscula e quase invisível — através de um processo a ácido. Esta marca encontra-se habitualmente no centro interno do fundo da base redonda, necessitando de ser observada contra uma fonte de luz direta para ser detectada.
Por fim, a manutenção destes objectos exige cuidados redobrados. A preservação dos arames de latão originais, que ligam os pingentes à arandela, é vital para manter a autenticidade e o valor de mercado da peça. Qualquer processo de restauro ou limpeza deve ser feito individualmente em cada prisma, assegurando que este candeeiro continue a desempenhar o seu papel original: capturar a luz e perpetuar o brilho da história.

OBJECTOS DIGNOS DE NOTAColeccionismoA ELEGÂNCIA IMTEMPORAL DA "ESFINGE" DE SACAVÉM: UM ÍCONE DA FAIANÇA PORTUGUESA.No un...
15/10/2026

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A ELEGÂNCIA IMTEMPORAL DA "ESFINGE" DE SACAVÉM: UM ÍCONE DA FAIANÇA PORTUGUESA.

No universo da cerâmica portuguesa, os paliteiros figurativos ocupam um lugar de merecido destaque, cruzando a funcionalidade social com a vertente artística. Entre as criações mais carismáticas e coleccionáveis da icónica Fábrica de Loiça de Sacavém, a figura da "Esfinge" surge como um testemunho perfeito do gosto revivalista que apaixonou as elites e a burguesia nacional.

Esta peça em particular — representando a mítica criatura egípcia deitada em vulto perfeito sobre um plinto retangular — destaca-se pela sua monocromia a branco leitoso. Despido de qualquer policromia ou dos tradicionais filetes a ouro mate que muitas vezes adornavam este modelo, o objecto foca as atenções na pureza das suas linhas e na textura da sua faiança fina (pó-de-pedra). O belíssimo e subtil efeito do craquelê no vidrado confere-lhe uma pátina de época irresistível, onde a luz joga com o relevo da escultura e as perfurações no dorso, destinadas aos palitos.

O segredo da sua história revela-se na base. O carimbo impresso a verde apresenta a célebre marca em forma de cinto ou fivela (inspirada na Order of the Garter britânica), com a inscrição central "Gilman & Cª Sacavém". A tipologia desta fivela, de linhas mais arredondadas e simplificadas, associada ao dígito "7" (um código interno de controlo de qualidade ou identificação do operário), permite-nos situar a produção deste paliteiro entre as décadas de 1930 e 1950, ou seja, o segundo quartel do século XX, em plena época Art Déco tardia ou no pós-guerra (c.1935–1955).

Este período coincide com a administração de Herbert Gilbert e o pico de expansão da fábrica, sabendo-se que o modelo "Esfinge" era um formato de enorme sucesso comercial, figurando com destaque nos catálogos oficiais da empresa até meados do século XX (como o célebre Catálogo de Formatos de Maio de 1950).
Mais do que um mero utilitário de mesa, este paliteiro "Esfinge" sobreviveu ao tempo como um verdadeiro objecto de arte decorativa. É um pedaço da história industrial portuguesa que continua a encantar colecionadores pela sua sobriedade, sofisticação e pelo eterno prestígio com que Sacavém sempre marcou a nossa mesa.

Tipologia: Paliteiro antropomórfico/zoomórfico figurativo; faiança fina portuguesa / loiça de pó-de-pedra. Sabe-se pelos arquivos oficiais que o formato constava e era promovido de forma activa no influente Catálogo de Formatos Domésticos de Maio de 1950 da empresa.

OBJECTOS DIGNOS DE NOTAColeccionismoDO FRUTO À OBRA DE ARTE: A BELEZA OCULTA DO FIGO EM PRATA  À primeira vista, as text...
15/10/2026

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DO FRUTO À OBRA DE ARTE: A BELEZA OCULTA DO FIGO EM PRATA

À primeira vista, as texturas orgânicas e as cavidades profundas desta peça fundida em metal desafiam o olhar, assemelhando-se quase a um raro fragmento de meteorito ou a uma escultura abstracta. Mas o mistério desfaz-se ao revelar-se a sua verdadeira essência: trata-se de uma representação hiper-realista de um figo meio aberto, esculpido com uma delicadeza botânica impressionante.

Esta peça decorativa de autor celebra as formas da natureza através de um trabalho de alta manufactura metalúrgica:

• A Casca Exterior: Uma reprodução fiel da pele rugosa e fibrosa do fruto fresco.

• O Coração do Figo: Uma explosão de pequenos relevos e texturas que imitam na perfeição a polpa interna e as suas sementes granuladas.

• A Autoria de Prestígio: A inscrição retangular oculta nas dobras do fruto confirma a assinatura da Lineasette (por vezes assinada em peças antigas e colecções especiais sob o cunho L. ARMS ou através da chancela oficial do mestre artesão/ourives da empresa), prestigiada marca italiana reconhecida internacionalmente pelas suas criações botânicas realistas e objectos de luxo entre o final dos anos 80 e os anos 90.

• O Selo de Garantia: O selo redondo no fundo da peça funciona como o contraste oficial de ourivesaria, autenticando a origem italiana e a pureza do metal revestido a prata de lei.

Uma curiosidade histórica: originalmente, este figo foi concebido pela conceituada oficina italiana como uma peça inteiramente livre e solta — um pisa-papéis de secretária exclusivo e táctil, feito para ser tocado e apreciado de perto. A sua exibição como peça de galeria foi uma feliz evolução posterior, elevando um requintado objecto de escritório ao estatuto de verdadeira escultura de museu.
Uma autêntica homenagem à beleza botânica e à excelência do design italiano.

DETALHES TÉCNICOS E MANUFACTURA:

• A Técnica da Electroformação (Galvanoplastia): O impressionante nível de realismo desta peça é alcançado através de um processo metalúrgico de alta precisão. Um molde orgânico original do fruto é revestido através de deposição electrolítica por camadas moleculares de metal. Esta técnica permite que a prata líquida adira a cada ínfimo poro, fibra ou relevo da peça original, criando uma réplica exacta impossível de obter através de moldagem ou escultura tradicional à mão.

• O Material (Prata de Lei): A superfície exterior da escultura recebe um acabamento espesso em prata de lei (geralmente prata de pureza 800 ou 925), que confere o brilho metálico nobre, a oxidação natural e o peso característico da ourivesaria fina italiana.

• A Manufactura Artística: Após o banho de metal precioso, cada peça passa pelas mãos de mestres artesãos do atelier italiano. São eles que aplicam as técnicas de polimento selectivo e oxidação controlada. Este acabamento manual escurece estrategicamente as cavidades internas da polpa do figo e dá brilho às arestas da casca, criando o contraste de luz e sombra (efeito chiaroscuro) que confere tridimensionalidade e vida à escultura.

Concluindo, olhando de perto para esta magnífica escultura de figo em prata 925, a marca "LAMAS" gravada na lateral revela o selo físico do seu processo de criação. Esta peça carrega o prestigiado legado de design da casa italiana Lineasette, mundialmente reconhecida pela forma única como reinterpreta as silhuetas da natureza através de linhas puras e texturas orgânicas.

Desenvolvida no âmbito das exclusivas coleções de formas biomórficas da marca, esta obra imortaliza o ciclo da fruta numa peça eterna de alta joalharia de interiores. A presença da marca cunhada na própria prata confere-lhe o valor de autenticidade que os grandes coleccionadores de arte e design procuram.

Uma verdadeira peça de conversação para qualquer ambiente exclusivo; um tributo ao design minimalista e ao requinte contemporâneo.

OBJECTOS DIGNOS DE NOTAColeccionismoO Paliteiro ROSA da Vista AlegreA Elegância Quotidiana: Durante os séculos XIX e iní...
15/10/2026

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O Paliteiro ROSA da Vista Alegre

A Elegância Quotidiana:

Durante os séculos XIX e início do século XX, os paliteiros desempenhavam um papel central e de grande destaque à mesa portuguesa. Longe de serem meros utensílios funcionais, estas peças eram verdadeiras esculturas decorativas que reflectiam o estatuto social dos seus proprietários e o requinte das manufacturas.

Esta peça em porcelana fina moldada de elevada qualidade, característica da manufatura de Ílhavo, datada entre 1920 e 1930, apresenta-se sob o formato de um botão de rosa esculpido. A sua cúpula exibe múltiplos furos estrategicamente dispostos nas pétalas superiores para acolher os palitos.

Trata-se de uma versão com acabamento esmaltado a branco total (monocromático), que realça os relevos decorativos, as nervuras das folhas e o brilho vidrado da própria porcelana, sem a necessidade de intervenção cromática. O botão da flor ergue-se a partir de uma base ovalada moldada com elementos vegetalistas que simulam o pé e as folhas da rosa.
Os registos históricos e catálogos de leilões da especialidade inserem este modelo específico de paliteiro "Rosa" no catálogo histórico da marca. Modelos idênticos surgem associados à Marca nº 20 (período de 1870-1880) ou à posterior Marca nº 26 (período de 1881-1921). Embora existam exemplares com decorações policromadas (pétalas pintadas a tons de rosa e folhas verdes), a versão inteiramente branca destaca-se pela sobriedade e intemporalidade das suas formas puras.

Note que o carimbo neste exemplar já não apresenta a coroa real no topo; após a implantação da República em Portugal em 1910, os símbolos monárquicos foram gradualmente removidos ou reestruturados; a partir de 1924, a Fábrica de Porcelana da Vista Alegre formalizou o grafismo simplificado com a inclusão explícita do país de origem, "PORTUGAL", para fins de exportação e afirmação de marca, como no caso presente. Assim, neste paliteiro, o carimbo verde-escuro mostra-se ligeiramente tremido ou com excesso de pigmento na palavra "PORTUGAL". Isto era um acontecimento perfeitamente normal na época, resultante do processo manual de estampagem sobre a porcelana vidrada antes de ir ao forno. A marca presente no fundo do paliteiro é o carimbo verde de grande fogo contendo as letras "V.A." dispostas horizontalmente e a palavra "PORTUGAL" logo abaixo. Esta variante específica da marca, conhecida pelos colecionadores como a Marca nº 31 nos catálogos de referência da manufactura, usado no período compreendido entre os anos de 1924 e 1947.

Este detalhe confirma que, embora o modelo clássico da "Rosa" tenha nascido na transição do século XIX, este exemplar específico foi manufacturado na primeira metade do século XX, provavelmente na época áurea da década de 1920 a 1930, mantendo toda a essência escultórica e a pureza da pasta branca original.

Hoje em dia, desprovido da sua função utilitária original, o paliteiro "Rosa" tornou-se uma valiosa peça de colecção altamente disputada no mercado de antiguidades e leilões de arte em Portugal.

OBJECTOS DIGNOS DE  NOTAColeccionismoO que é isto? À primeira vista parece um instrumento médico ou uma caneta antiga, m...
15/10/2026

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O que é isto? À primeira vista parece um instrumento médico ou uma caneta antiga, mas a verdade é muito mais glamorosa (e secreta!). 🤫🥂

Nas décadas de 1920 e 1930, durante os "Anos Loucos", o champanhe era o rei das festas da alta sociedade europeia. No entanto, o gás da época era muito mais agressivo do que o actual. Para as damas da aristocracia, o enfartamento ou o mínimo sinal de desconforto gástrico em público era uma falha imperdoável de etiqueta.

A solução? O Batedor de Champanhe Retrátil (Ch*****ne Whisk), já desde a era vitoriana.

Este pequeno objeto de luxo era carregado discretamente nas carteiras de noite. À mesa, as senhoras faziam deslizar o anel mecânico para abrir uma pequena "vassoura" de fios de prata e misturavam o champanhe com movimentos suaves. Em segundos, as bolhas em excesso desapareciam e o gás era eliminado com a máxima elegância e discrição.

Este joia em específico é uma autêntica obra de arte da ourivesaria do Norte da Europa:

✨ Fabricado em prata sólida 835.

✨ Assinado pelo prestigiado ourives W. Moermans (Bélgica/Países Baixos).

✨ Decorado com um lindo cacho de uvas cinzelado à mão no topo.

Embora hoje em dia os produtores de vinho vejam este objeto como um "sacrilégio" (já que passamos anos a tentar criar a bolha perfeita!), ele continua a ser um testemunho fascinante de uma época em que até o acto de retirar o gás a uma bebida exigia poesia, engenharia e muito estilo.

Uma verdadeira raridade da história do barware vintage na minha coleção! 🍇🍾

15/09/2025

No próximo dia 27 de setembro, às 16h, a Fundação Dionísio Pinheiro e Alice Cardoso Pinheiro, em Águeda, acolhe o lançamento do livro Corpo Sagrado, da autora Margarida Santos.

A apresentação da obra contará com a participação de Vieira Duque, responsável pelo prefácio, e de Maria Esther, da Editora Modocromia.

11/09/2025

Por motivos de força maior a Exposição Antológica "Corpo Sagrado", da Escultora Margarida Santos, foi adiada.

Haverá mais informação em breve!

05/09/2025

ATUALIZAÇÃO! ADIADO!
.......
Inauguração da Exposição Antológica CORPO SAGRADO, da Escultora Margarida Santos, com obras de pintura, escultura, desenho e escrita, no dia 27 de Setembro de 2025, às 16:00, no Museu Municipal de Espinho.

A inauguração contará com o 1º Recital da 5ª Temporada dos Ciclos de Lua Nova | Série Internacional de Recitais de Piano e Música de Câmara, com a atuação do Pianista Bernardo Santos e do Violinista André Fonseca.

No programa, consta também a apresentação da última obra literária da Escultora Margarida Santos, intitulada "Corpo Sagrado", edição da Modocromia Editora.

F**a o convite para esta programação de Excelência!

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Em Margarida Santos, na sua Obra (escultura, desenho e pintura), assistimos à conjugação do material e da mestria, em excelência de um percurso de décadas, com a sensualidade e o Ser, de uma forma sublime que permite considerar o seu trabalho, no todo, como uma Obra-prima de excelência na arte portuguesa do séculos XX / XXI. O Caminho de Margarida Santos marca-se pela própria Obra, vincada pela sensualidade e paixão versus Arte gritante do Ser que se assume numa maturidade mestra em dialogar pela materialidade que eleva ao plano da comunicação de excelência e, quiçá, remissão para outro léxico… refutando mediocridades, escusando o inebriar pela obra de arte, antes o despertar com rufos que a ninguém deixa ileso ou indemne. Assim, a exposição antológica “Corpo Sagrado”, mais do que uma retrospetiva da obra de Margarida Santos, pretende ser uma homenagem à escultora e um momento de celebração das artes plásticas.

J. M. Vieira Duque, 2025
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Margarida Santos nasceu em 1946. Obteve a Licenciatura em Escultura na E.S.B.A.P., 1968. Foi bolseira da Gulbenkian antes e depois do Curso. Foi professora entre 1968 e 2006. Orientadora pedagógica da Direção Geral do Ensino Básico; Orientadora da equipa da Educação Visual da Telescola; Autora, apresentadora e colaboradora de programas culturais da imprensa, da rádio e da televisão; diretora artística da Galeria da Praça. Autora de obra pública e privada na área da Escultura: bustos, retratos, relevos, troféus, múltiplos, medalhas e monumentos; de programas radiofónicos e de artigos de opinião, crítica e crónicas na imprensa falada e escrita; de textos críticos para catálogos de exposições. Responsável por cursos para orientadores de professores, filmes pedagógicos e didáticos, diaporamas. Autora e ilustradora de poesia e de obra gráfica. Autora de monumentos de grande escala implantados no país e no estrangeiro. Realizou dezenas de exposições individuais dentro e fora do país. Participou em centenas de mostras coletivas. Desde 1968 até à atualidade desenvolve profícua atividade na área Literária e nas Artes Plásticas - escreve, desenha, pinta e sobretudo esculpe. A sua casa-atelier situa-se em Canelas, Gaia.

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Avenida Drive Elísio De Moura, 443, 2°A
Coimbra
3030-183

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