16/09/2016
24/10/1930 – Coluna Revolucionaria do Prata
Segundo Sérgio Rubens de Araújo Torres, durante os 21 meses em que percorreu uma extensão de 25.000 km, através de 10 estados brasileiros, a 1ª Divisão Revolucionária foi duramente combatida pelo governo que mobilizou contra ela um vasto aparato militar composto por forças regulares do Exército, polícias militares de quinze estados, jagunços e cangaceiros.
Tendo ocupado, ao longo da marcha, mais de 500 cidades e vilas, os revolucionários encerraram a campanha, em fevereiro de 1927, cercados por uma aura de invencibilidade e prestígio que feriu de morte o poder da oligarquia cafeeira paulista. Esta conseguiria manter ainda, por mais alguns anos, o seu domínio sobre a vida nacional. Porém, a nova onda revolucionária que se ergueria em 1930, sob o comando de Getúlio Vargas, levaria de roldão o velho regime baseado na submissão aos interesses do imperialismo inglês, na política de valorização artificial do café - às custas do empobrecimento dos demais setores da sociedade - e na imposição de um sistema eleitoral notoriamente fraudulento.
A eclosão da primeira rebelião inspirada pelos ideais de voto secreto, ensino público, industrialização, direitos trabalhistas, independência econômica e moralidade administrativa ocorreria no Rio de Janeiro, em 1922.
A segunda onda revolucionária teria início em julho de 1924, quando as guarnições do Exército da capital paulista e parte do contingente da Polícia Militar, com o apoio da população civil, assumiram o controle da cidade. Ainda no mês de julho, as forças revolucionárias tomam Aracaju e Manaus, mas são sufocadas no mês seguinte.
Em São Paulo, após 22 dias de combates que culminaram num, devastador e indiscriminado bombardeio promovido pelos representantes da oligarquia contra a população da cidade, os revolucionários se retiram para o interior. Cruzando o estado, atingem o rio Paraná, de onde seguem para o sul, assumindo, no mês de setembro, o controle da faixa oeste do território paranaense, de Guaíra a Foz do Iguaçu. A 29 de outubro, revoltam-se as guarnições do Exército das cidades gaúchas de Santo Ângelo, São Luis Gonzaga das Missões, São Borja, Uruguaiana e Alegrete, em ação conjugada com as milícias dos generais maragatos Honório Lemes e Zeca Neto. Em abril de 1925, as forças revolucionárias gaúchas atingem Foz do Iguaçu, reunindo-se às forças paulistas.
Decidem então constituir a 1ª Divisão Revolucionária e prosseguir a luta cruzando uma faixa do território paraguaio, para atingir o estado do Mato Grosso, iniciando assim a Grande Marcha através dos sertões brasileiros. A 1ª Divisão Revolucionária tornou-se a Coluna Prestes, denominação que foi se afirmando com o passar dos anos.
Em meados de 1929, a candidatura de Getúlio Vargas, à sucessão de Washington Luís, deflagraria uma nova ofensiva revolucionária para libertar o país do domínio da oligarquia cafeeira paulista. A 1ª Divisão Revolucionária tornou-se a Coluna Prestes, denominação que foi se afirmando com o passar dos anos.
Em meados de 1929, a candidatura de Getúlio Vargas, à sucessão de Washington Luís, deflagraria uma nova ofensiva revolucionária para libertar o país do domínio da oligarquia cafeeira paulista. No dia 3 de setembro, chegava à cidade mineira de Uberaba a esquadrilha que decolara de São Paulo para arrasar os revolucionários no interior de Goiás. A força estava sob o comando do capitão Orton Hoover, aviador norte-americano que chefiava a missão instrutora da Polícia Militar de São Paulo. O capitão Hoover atendeu com satisfação o pedido das autoridades locais para a realização de um show aéreo, brindando a população daquela cidade com uma demonstração inequívoca da superioridade das forças governistas sobre os impertinentes rebeldes. O show foi um sucesso. A vida, porém, não se sentiria compelida a imitar a arte. Na saída de Uberaba, para a escala seguinte, um dos aviões caiu, morrendo a sua tripulação, composta pelos oficiais Pereira Lima e Edmundo Chantre. No dia 8 de setembro, antes de entrar em combate, caiu sobre a cidade goiana de Urutaí o avião pilotado pelo capitão Hoover. A aeronave carregava 15 bombas que não detonaram, mas produziram uma crise, na capital da República, pois a evidência de que o falecido oficial norte-americano se encontrava em missão de combate e não de instrução violava a ordem jurídica, expunha a diplomacia de Washington a uma situação delicada e criava conflitos de competências entre as autoridades civis e militares. A missão da esquadrilha foi cancelada e os três aviões restantes retornaram a São Paulo.
Desfalcado de sua força aérea, o coronel Pedro Dias dispusera as forças paulistas em duas linhas de defesa. A primeira estendida de São José do Duro a Porto Nacional, passando por Almas e Natividade. A segunda, mais ao sul, partia da cidade de Formosa, onde foi instalado o QG das forcas governistas, alongando-se pelo vale do Paranã, até a vila de Cavalcanti. Na foto abaixo, podemos observar um piquete da Coluna Prestes. A Coluna Revolucionaria do Prata, liderada pelo Tenente Atanagildo França, foi responsável pelo combate as forças governistas de Prata até o antigo Porto do Cemitério.