01/07/2026
Registros das últimas exposições de Xadalu Tupã Jacupé e Vherá Mirim Sergio
QUANDO A ARTE ENCONTRA A ORIGEM: estudantes Guarani visitam a Ecarta e reconhecem sua história nas exposições.
Pela primeira vez, uma escola indígena Guarani visitou a Fundação Ecarta. No dia 17 de junho , cerca de 20 estudantes da Escola Estadual Indígena Anhetenguá, localizada na Terra Indígena Tekoá Anhetenguá, na Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre, percorreram exposições que dialogam com ancestralidade, memória e identidade dos povos originários.
Entre crianças e adolescentes, os visitantes encontraram muito mais do que obras de arte. Em meio aos trabalhos de Xadalu Tupã Jekupé, os estudantes identif**avam e nomeavam, em guarani, animais, plantas e elementos da natureza presentes nas pinturas da exposição Tape – Estudo dos Caminhos. As conversas espontâneas na língua materna davam vida ao percurso expositivo, guiado pelo conceito de tape — “caminho”, em guarani.
Realizada em parceria com a Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e com curadoria de Aldones Nino, a mostra propõe uma releitura contemporânea do legado Jesuítico-Guarani. A exposição articula memória, cosmologia guarani, pesquisa histórica e produção pictórica, trazendo à tona narrativas frequentemente invisibilizadas pela historiografia tradicional.
A visita foi conduzida pelo coordenador da Galeria Ecarta, André Venzon, a pedido do artista Xadalu, que atualmente realiza residência artística em Berlim, na Alemanha.
Acompanhando os estudantes estava o professor Vherá Mirim Sergio, também artista participante da programação da Ecarta. No espaço Professor Artista/Artista Professor, ele apresenta esculturas em madeira de animais em grandes proporções, obras que refletem a profunda conexão do povo Guarani com a natureza, a espiritualidade e os saberes ancestrais.
O roteiro incluiu ainda a exposição de Isabelle Foliatti, no Projeto Potência, composta por pinturas inspiradas em fotografias de familiares da região missioneira. As obras estabelecem pontes entre memória afetiva, território e pertencimento, temas que dialogaram diretamente com a experiência dos visitantes.
Ao final da atividade, os estudantes participaram de um momento de confraternização com o presidente da Fundação Ecarta, Marcos Fuhr. A visita foi encerrada com uma fotografia coletiva em frente à sede da instituição, cuja fachada é marcada por um mural do artista boliviano aimará Freddy Mamani, obra que retrata a cosmologia andina e integra o legado deixado pela última Bienal do Mercosul.
Também acompanharam a comitiva o cineasta guarani Jorge Morinico, morador da aldeia, e a professora de Geografia Mariana Maciel.
A Escola Estadual Indígena Anhetenguá atende atualmente 108 estudantes do Ensino Fundamental. Mais do que a alfabetização formal, sua proposta pedagógica valoriza a transmissão cultural por meio da arte, da música, dos cantos e das práticas comunitárias. São conhecimentos que fortalecem os vínculos com os parentes, com a floresta e com o legado ancestral, cultivando respeito, cuidado e responsabilidade ambiental para as futuras gerações.
As exposições de Xadalu Tupã Jekupé, Vherá Mirim Sergio e Isabelle Foliatti permanecem abertas à visitação até 28 de junho, de terça a domingo, das 10h às 18h, com entrada gratuita.
fotos: Stela Pastore