26/05/2026
É com profundo pesar que nos despedimos de Carmen Lúcia da Silva, antropóloga que faleceu nesta terça-feira (26 de maio), em Juiz de Fora/MG.
Carmen trabalhou como antropóloga no MAE entre 1991 e 2006, sendo responsável principalmente pela organização e primeira catalogação do acervo de objetos dos povos indígenas. No período em que esteve no Museu, os estudos acerca dessas populações ganharam cada vez mais espaço, em grande parte por conta da dedicação de Carmen à proteção e divulgação do patrimônio material e imaterial indígena.
Além disso, Carmen foi uma das primeiras antropólogas a se aproximar dos Xetá, povo indígena do oeste do Paraná, e a contestar a ideia de que eles teriam sido completamente exterminados pela frente de colonização paranaense, demonstrando, por meio de sua dissertação de mestrado e tese de doutorado, que seus modos de vida seguiam vivos. De fato, em 1994, ela ajudou a organizar o primeiro Encontro Xetá, que reuniu os sobreviventes da tentativa de genocídio e, posteriormente, atuou como antropóloga colaboradora e coordenadora do Grupo de Trabalho de Identificação e Delimitação Fundiária da Terra Indígena Herarekã Xetá, auxiliando na luta desse povo por seu direito à terra.
A partir de 2006, Carmen passou a lecionar Antropologia na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), deixando um grande legado para o MAE-UFPR e inspirando novas gerações de antropólogas e antropólogos.
O expressa seu pesar e solidariedade aos familiares, amigos e colegas de Carmen.