04/08/2026
Há 34 anos, o Jornal da Manhã estampava a manchete "Prejuízos ultrapassam Cr$ (cruzeiros) 6 bilhões", retratando os impactos das enchentes que atingiram Ijuí no início de junho de 1992. A reportagem apresentava um levantamento preliminar da Prefeitura, que contabilizava prejuízos na infraestrutura urbana e rural, com 24 pontes danificadas, cerca de 100 quilômetros de estradas afetadas, residências atingidas, danos em prédios públicos, no abastecimento de água, no transporte escolar e na produção agrícola.
Além do balanço, a edição registrava as ações adotadas para a recuperação do município e os debates que surgiam naquele momento sobre o futuro da cidade. Entre os temas, estavam o cumprimento do Plano Diretor, a ocupação de áreas sujeitas a alagamentos e a preservação dos arroios urbanos, demonstrando que, ainda durante a reconstrução, Ijuí já discutia medidas para reduzir os impactos de eventos semelhantes no futuro.
Nos últimos dias, a Defesa Civil do Rio Grande do Sul emitiu alertas para a possibilidade de chuvas intensas em diferentes regiões do Estado. Embora separados por mais de três décadas, o alerta atual e a reportagem de 1992 remetem a uma mesma realidade: eventos climáticos extremos fazem parte da história do Rio Grande do Sul e também da trajetória de Ijuí.
Trinta e quatro anos depois, o município passou por mudanças em sua infraestrutura, expandiu sua área urbana e incorporou novos instrumentos de planejamento. Ao mesmo tempo, os eventos climáticos extremos passaram a desafiar com maior frequência o território gaúcho. A antiga reportagem permanece como um registro daquele episódio e, ao ser visitada em um momento de novos alertas meteorológicos, convida a uma questão que atravessa os anos: quanto a cidade mudou desde então e como responderia hoje a um evento de dimensões semelhantes?
Fotografia por Gerson Atkinson: Residência do Sr. João Carlos Goedecke, localizada na Rua 20 de Setembro, a qual foi totalmente destruída pela enchente de 1992.