18/07/2026
HAMILTON SARAIVA E SUA HERANÇA CULTURAL
Em 27 de fevereiro de 2005, o teatro amador paulista perdeu um dos seus maiores expoentes.
21 anos são passados que Hamilton Saraiva nos deixou, e foi como uma luz que se apagou no cenário teatral paulista. Professor da Escola de Comunicações e Artes da USP, doutorado em Artes em função da tese que defendeu sobre a iluminação cênica e seus efeitos nos espectadores.
Foi o responsável pela elaboração, durante o Governo Jânio Quadros, da formatação do Conselho Estadual de Cultura e suas várias comissões, inclusive a do teatro.
Elaborou dezenas de leis que propiciaram ao teatro amador paulista, uma série de direitos, além da realização do Festival Estadual de Teatro Amador, da concessão de bolsas de estudos para os amadores premiados nesses certames, cursos e distribuição de farta literatura teatral para os grupos e Federações de Teatro Amador.
Em seu Teatro Jambai de Comédia, exerceu várias atividades, tais como: diretor, autor, figurinista, iluminador, cenógrafo, contrarregra e sonoplasta, provando que um home de teatro é sempre polivalente. Sua crença no espiritismo, sem resquícios de fanatismo, era amigo de Chico Xavier e desenvolvia seus cultos em sua residência.
Jovem ingressou na antiga Guarda Civil de São Paulo, e naquele ambiente de rígida disciplina, inicia também suas atividades teatrais amadoras. Lutando com uma censura mal disfarçada da corporação, cria um grupo teatral na sede da associação que reunia os membros dessa corporação. Era graduado em pedagogia, desenho e licenciado em artes cênicas, antes de se doutorar.
Desenvolveu atividades em Portugal, onde fez uma parte de suas pesquisas para a tese de doutorado, e publicou mais de uma dezena de peças teatrais, além de artigos para vários jornais. Recebeu várias premiações, entre elas o Prêmio Governador do Estado para teatro.
Presidiu por vários anos a federação Paulistana de Teatro Amador, origem das demais federações criadas pelo interior do Estado de São Paulo.
Foi um dos fundadores da COTAESP – Confederação de Teatro Amador do Estado de São Paulo, bem como, do ICACESP – Instituto Cultural de Artes Cênicas do Estado de São Paulo.
Trabalhou em cinema ao lado de seu amigo Amacio Mazzaropi, com o qual realizou sete produções, entre elas: “Jeca Tatu”, “As Aventuras de Pedro Malasartes” e o “Vendedor de Linguiça”. Sua estreia no cinema foi com o filme “Chofer de Praça”, em 1959, que também foi a primeira produção de Mazzaropi.
Seu currículo no sistema Lattes tem 84 páginas, mas assim mesmo é considerado incompleto. Além dos seus textos teatrais publicados, Hamilton Saraiva é ainda o autor de dois livros sobre iluminação cênica, atividade na qual era um dos maiores especialistas do país.
Há 21 anos nos deixou, para iluminar outros lugares nos quais acreditava convictamente. Deixou uma legião de amigos e seguidores que ainda sentem a sua ausência.
CARLOS PINTO _ Jornalista e Presidente do ICACESP