15/08/2026
Nascida Brigitta Spindel em Viena, em 1932, Gitta Ryle cresceu em uma família judaica. Quando a Alemanha nazista invadiu a Áustria em março de 1938, seu pai fugiu para a Bélgica na esperança de, posteriormente, levar a família quando se estabelecesse no país.
Porém, meses depois, a Áustria foi um dos territórios atingidos pela Noite dos Cristais. Diante do aumento da violência antissemita, a mãe de Gitta, preocupada com a segurança das filhas, registrou ela e a irmã mais velha, Renee, na Oeuvre de Secours aux Enfants (Sociedade de Auxílio às Crianças), organização humanitária que resgatava crianças judias em toda a Europa. Durante a Segunda Guerra Mundial, a organização administrou 14 lares e ajudou cerca de 5 mil crianças.
Nessa época, Gitta tinha 7 anos e Renee, 10. As irmãs permaneceram escondidas por sete anos, primeiro em Paris, depois em um orfanato perto de Lyon, um convento católico e, por fim, na fazenda de uma família que as acolheu.
Com o fim da guerra, Gitta e Renee reencontraram a mãe, mas descobriram que o pai havia sido assassinado em Auschwitz. A família mudou-se para os Estados Unidos, no sul da Califórnia. Foi lá que, já adulta, Gitta conheceu Bob, com quem se casou e teve três filhos, além de quatro netos. Até hoje, aos 94 anos, Gitta continua compartilhando sua história, alertando novas gerações sobre os riscos da intolerância e do ódio.
Neste ano, a história dela se tornou um filme. Dirigido pela neta, Beatrix Ryle, o longa “My name is Gitta” (“Meu nome é Gitta”, em tradução livre), acompanha a jornada de Gitta e do filho Marcus pela Europa, refazendo os passos de sua infância, reencontrando famílias e organizações que salvaram sua vida. O filme estreou em fevereiro de 2026.