Cachoeira do Arari: Rememorando Nossas Histórias

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PROCISSÃO RELIGIOSA EM HOMENAGEM A NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃONa imagem podemos observar uma Procissão Religiosa em homen...
07/10/2026

PROCISSÃO RELIGIOSA EM HOMENAGEM A NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO

Na imagem podemos observar uma Procissão Religiosa em homenagem à padroeira do município de Cachoeira do Arari, Nossa Senhora da Conceição.

Provavelmente, por ter sido realizada no período noturno, seja a procissão da trasladação da imagem da santa.

Ao fundo a Casa do Seu Aureliano (essa construção não existe mais).

A Porta Bandeira do Santo estava com a camisa do Cirio de 2002, o que pode nos indicar a provável data da realização dessa manifestação religioso.

Na fotografia também podemos identificar personsagens do passado e de hoje da sociedade cachoeirense.

E, você, reconhece alguém nesse registro histórico?

Vamos exercitar nossa memória!!!
Foto: Miguel Van Behr.
Fonte: Albertinho Leão

PERSONAGENS CACHOEIRENSES    Na fotografia, estão dona Maria "Empenada" (que pelas informações colhidas era mãe da Tamba...
29/09/2026

PERSONAGENS CACHOEIRENSES

Na fotografia, estão dona Maria "Empenada" (que pelas informações colhidas era mãe da Tamba e da Vandeca) e o Seu Pachá, ou Pachado. Personagens muito conhecidos pela comunidade cachoeirense da época.
Pesquisa/Texto: Diego Bragança de Moura 🔍⏳🧔🏾‍♂️

Alguém conhece esse menino?...................Fotografia: Giovanni Gallo Fonte: Acervo Pessoal do Padre Giovanni Gallo -...
22/09/2026

Alguém conhece esse menino?
...................
Fotografia: Giovanni Gallo
Fonte: Acervo Pessoal do Padre Giovanni Gallo - Museu Paraense Emílio Goeldi
Pesquisa: Diego Bragança de Moura

Alguém conhece esse vaqueiro?...................Fotografia: Giovanni Gallo Fonte: Acervo Pessoal do Padre Giovanni Gallo...
17/09/2026

Alguém conhece esse vaqueiro?
...................
Fotografia: Giovanni Gallo
Fonte: Acervo Pessoal do Padre Giovanni Gallo - Museu Paraense Emílio Goeldi.

VAQUEIRO DO MARAJÓ (Década de 1970)Arquipélago do Marajó ..................Fonte: Acervo da Exposição d'O Museu do Maraj...
15/09/2026

VAQUEIRO DO MARAJÓ (Década de 1970)

Arquipélago do Marajó ..................
Fonte: Acervo da Exposição d'O Museu do Marajó.

PREFEITURA MUNICIPAL DE CACHOEIRA DO ARARIPALÁCIO JOÃO RODRIGUES VIANA..................Fonte: Acervo da Exposição d'O M...
12/09/2026

PREFEITURA MUNICIPAL DE CACHOEIRA DO ARARI

PALÁCIO JOÃO RODRIGUES VIANA
..................
Fonte: Acervo da Exposição d'O Museu do Marajó.

TANGA MARAJOARAPesquisa / Texto: Diego Bragança de Moura ⏳🔍      A Tanga Marajoara é um dos artefatos mais emblemáticos ...
06/09/2026

TANGA MARAJOARA

Pesquisa / Texto: Diego Bragança de Moura ⏳🔍

A Tanga Marajoara é um dos artefatos mais emblemáticos e belos encontrados em escavações ou descobertas por nativos acerca da antiga sociedade indígena marajoara. Constituem uma importante expressão da arte, da tecnologia, da corporalidade e da simbologia dos povos que habitaram a Ilha de Marajó, especialmente durante a chamada Fase Marajoara, entre aproximadamente os séculos V e XIV.

Tanga Marajoara: corpo, identidade e simbologia na cultura do MarajóPesquisa / Texto: Diego Bragança de Moura ⏳🔍      A ...
31/08/2026

Tanga Marajoara: corpo, identidade e simbologia na cultura do Marajó

Pesquisa / Texto: Diego Bragança de Moura ⏳🔍

A Tanga Marajoara é um dos artefatos mais emblemáticos e belos encontrados em escavações ou descobertas por nativos acerca da antiga sociedade indígena marajoara. Constituem uma importante expressão da arte, da tecnologia, da corporalidade e da simbologia dos povos que habitaram a Ilha de Marajó, especialmente durante a chamada Fase Marajoara, entre aproximadamente os séculos V e XIV.

Trata-se de peças arqueológicas, aparentemente, singulares, produzidas em cerâmica fina e cuidadosamente modeladas para se acomodar ao corpo feminino. Porém, muito mais do que um simples objeto destinado a cobrir o corpo, a tanga marajoara desempenhou diferentes funções simbólicas, sociais e cerimoniais. Inúmeros estudos arqueológicos apontam relações entre essas peças, a ritos de passagem, cerimônias, hierarquia social e possíveis processos de construção da identidade por aquelas que as usavam.

Entretanto, é importante destacarmos que nem todos os significados atribuídos atualmente às tangas podem ser considerados definitivos, pois muitas interpretações são hipóteses construídas a partir dos vestidos arqueológicos. Pois, muitas das civilizações das diferentes fases indígenas que habitavam o território do Arquipélago do Marajó, quando os europeus desembarcaram em solo marajoara já não existiam mais. Por isso, que muito do que sabemos sobre esses diferentes grupos vem dos estudos e interpretações dos vestígios (cacos ou cerâmicas inteiras) que resistiram ao longo do tempo.

As tangas apresentam, em geral, formato triangular, levemente côncavo ou convexo, com dimensões relativamente pequenas. Possuem orifícios nas extremidades (pontas desses triângulos), por onde provavelmente passavam cordões ou fibras vegetais utilizados para prendê-las ao corpo feminino. A diversidade de tamanhos e curvaturas encontradas nos diversos exemplares encontrados, nos sugere que algumas peças poderiam ter sido produzidas considerando as características anatômicas e a idade de suas usuárias. Ou seja, as tangas eram produzidas de maneira personalizada e individualizada para cada menina/mulher que as utilizavam. A decoração, o tamanho, a forma e a curvatura variam consideravelmente, levando pesquisadores a discutir a possibilidade de que determinadas tangas fossem produzidas especialmente para cada usuária.

A matéria-prima principal era uma argila fina, trabalhada e queimada (barro cozido) para produzir uma cerâmica relativamente delicada e detalhada. Depois da modelagem no corpo, a superfície poderia receber diferentes tratamentos, que poderiam incluir: engobo, pinturas em cores diferentes (vermelho, branco e preto), incisão e excisões.

As cores mais recorrentes são o vermelho (cor extraída do urucum), preto (cor extraída do jenipapo), branco (cor extraída do calcário; e da tabatinga) ou creme, além de encontrarmos as tonalidades alaranjadas e marrons. A maioria dos exemplares encontrados apresentam fundo claro sobre o qual são aplicados grafismos vermelhos e pretos. O que temos que ter em mente é que essas cores não devem ser interpretadas automaticamente segundo significados modernos ou universais. Seu significado específico no contexto das tangas permanece objeto de investigação arqueológica, que podem nos relevar sentidos e simbologias diferentes atribuídos por diferentes fases indígenas, a saber: Fase Ananatuba; Fase Mangueira; Fase Acauã; Fase Formiga; Fase Marajoara e Fase Aruã.

É no campo da decoração que a Tanga Marajoara revela uma de suas maiores riquezas e interesses. Suas superfícies, normalmente, apresentam uma riqueza de detalhes geométricos, linhas, repetições, simetrias, campos decorativos e figuras altamente estilizadas. Pesquisas recentes demonstram que muitos desses desenhos podem ser compreendidos como representações extremamente elaboradas de seres humanos (antropomorfismo), animais (zoomorfismo) e formas híbridas (antropozoomorfismo), incluindo referências a elementos da fauna amazônica (lagartos, jacaré, quelônios, cobra, aves, escorpião e mamíferos).

A tanga pode ser compreendida não apenas como uma vestimenta, mas como uma espécie de superfície de comunicação visual, na qual corpo, sociedade, natureza e cosmologia indígena se encontravam.

A tanga é um elemento material e imaterial da representação do feminino nos grupos indígenas. A sua presença em urnas funerárias, juntamente com outros objetos (estatuetas femininas, colares e adornos), nos trazem evidências arqueológicas da importância do papel e da representação das mulheres nas sociedades marajoaras. Nesse sentido, a tanga pode ser compreendida como um objeto relacionado à construção social do corpo e da identidade feminina e das diferentes etapas da vida. Uma prova disso é própria confecção dessas peças de forma individualizada, para cada anatomia, demonstrando uma relação muito particular entre objeto, corpo e indivíduo(a). Podemos atribuir desta forma às tangas o caráter de peças íntimas, do ponto de vista que eram pensadas, construídas e utilizadas para/por uma determinada pessoa.

A presença geográfica está particularmente definida no Arquipélago do Marajó e, mais especificamente, no contexto arqueológico da região dos tesos marajoaras. Grandes estruturas androgênicas, ou seja, aterros artificiais construídos por ação humana, pelas populações que ocuparam a ilha.

Esses espaços possuíam diversos usos, funcionando tanto como áreas de habitação, circulação, plantio, criação de animais e, em determinados casos, como locais relacionados a práticas funerárias e cerimoniais.

A Tanga Marajoara permanece como um dos símbolos mais reconhecidos da antiga cultura marajoara. Sua importância ultrapassa a dimensão estética: ela permite estudar tecnologia cerâmica, gênero, corpo, identidade, organização social, rituais, arte e cosmologia das sociedades que viveram no Marajó. Por isso, a tanga deve ser compreendida como parte de um amplo sistema cultural no qual o barro, o corpo, os animais, os grafismos e a paisagem amazônica estavam profundamente relacionados. A decoração não era apenas um ornamento. Mas sim, apresentava-se em uma sofisticada linguagem visual, capaz de articular diferentes seres, formas e significados em composições complexas. A tanga nesse contexto, atua como um verdadeiro mosaico, um quebra-cabeça de elementos e símbolos materiais e imateriais que compunham e representavam a complexidade da cosmologia indígena marajoara.

Endereço

Cachoeira Do Arari, PA
68840-000

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