03/09/2026
Conceição dos Bugres (1914-1984) - referência em identidade e resistência popular brasileira no século XX - procurava personalizar suas esculturas, muitas vezes dando nomes a elas.
Em 1979, Conceição explicou a origem de seus famosos Bugres em entrevista a Aline Figueiredo:
“Um dia, me pus sentada embaixo de uma árvore. Perto de mim tinha uma cepa de mandioca. A cepa de mandioca tinha cara de gente. Pensei em fazer uma pessoa e fiz. Aí a mandioca foi secando e foi ficando parecida com uma cara de velha. Gostei muito, depois eu passei para a madeira.”
Distinguia, por vezes, alguns exemplares como “índios mansos”, que dizia ser seres tranquilos e, por outras, “negrinhos”, referentes a descendentes africanos. Ela considerava este último tipo amuleto e presenteava aos amigos, num ato de dádiva.
Sua técnica principal consistia em um mínimo de entalhes em madeira, cobertura com cera de abelha e contornos negros com carvão para olhos, cabelo e fisionomia.
Na arte de Conceição, o termo "bugre" designou os indígenas combatidos, perseguidos e afastados do seu território. Apesar do notório reconhecimento de sua importância, a trajetória de Conceição dos Bugres sofreu um processo de apagamento a partir dos anos 80.
São poucas obras em acervos públicos, sendo que a maior parte dos Bugres integra coleções particulares.
Hoje, a obra Bugre, s.d., encontra-se no expositivo principal, entre Valéria Pena Costa, Natureza Morta, Natureza Viva, s.d. e Renata Vale, Colheita de Trigo, Brasília Photo Show, 10ª Ed., ao lado da escultura Santíssima Trindade, 1980, de Antônio Poteiro.
Venha conferir.
Ficha Técnica:
Conceição dos Bugres
Bugre
Sem data
Encáustica e madeira entalhada
Acervo Museu de Arte de Brasília - MAB
Imagens: Arquivo MAB/SECEC
Conheça o acervo do MAB!