25/08/2026
Neste fragmento esculpido em pedra de Ançã (um calcário branco e muito macio originário de Cantanhede), vemos uma cabeça feminina coroada. Composta por um rosto de recorte redondo, são percetíveis os olhos abertos, os lábios semicerrados e uma composição equilibrada, que é simétrica a partir do eixo do nariz. Outro pormenor de referência nesta escultura é o desenho dos cabelos ondulados, executados em estrias, assim como uma coroa ornamentada por uma sequência de cabuchões em relevo.
Atribuída ao Mestre dos Túmulos dos Reis pelo historiador Pedro Dias, a peça terá sido produzida durante o reinado de D. Manuel, quando decorreram as grandes obras no Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra.
Apesar do seu carácter de ruína, as semelhanças com a imagem da Virgem do Leite integrada no Túmulo de D. Sancho I –– considerada, por muitos, a obra-prima atribuída ao mesmo escultor anónimo do século XVI –– são notórias, permitindo mesmo classificá-la como a escultura estilisticamente mais próxima conservada no património português.
Este objeto característico da transição do Gótico para o Renascimento em Portugal integra a Coleção de Arte Europeia do acervo do museu, e engloba pintura, escultura, desenho, artes decorativas e uma variedade de expressões resultantes de diferentes circulações estéticas e temporais.
📷 © Pedro Lobo
𝐂𝐚𝐛𝐞𝐜̧𝐚 𝐟𝐞𝐦𝐢𝐧𝐢𝐧𝐚 𝐜𝐨𝐫𝐨𝐚𝐝𝐚
Coimbra, Portugal, c. 1520–1525
Pedra de Ançã (calcário oolítico de Ançã) montada em peanha de sucupira
28 x 15,7 x 18 cm (com peanha)