06/09/2026
A COVA (Continuação).
Cemitério Municipal De Benguela.
Cláudia abriu a porta e correu. Correu no capim alto, descalça, gritando. Mas o capim cortava o pé e o primo correu mais rápido. Pegou ela pelo cabelo e arrastou de volta.
Na porta do cemitério, o rapaz começou a falar numa língua que não era português, não era umbundu, era uma coisa enrolada, feia, que fazia o vento parar.
O portão abriu sozinho. Com barulho de ferro velho.
Lá dentro, já tinha uma cova aberta. Nova. Fundinha. E dentro da cova, Cláudia viu com a lanterna do telefone: bonecas de pano com fotos de meninas coladas na cara, potes com sangue seco, perucas cortadas, e um bilhete com o nome dela: CLÁUDIA.
Vanessa empurrou ela dentro da cova.
Os dois desceram também.
Fazem um ritual nela.
E ela foi esf0rçad@ a se envolver com um cão que do nada apareceu na cova. A seguidora desmaia por medo e quando acorda o cão estava em cima dela a p&netr@-la. O primo se faz um c0rte no braço e no braço da Vanessa também e o s@ngue colocam numa tigela de barro e dão na Cláudia para beber. Depois disso o jovem falava algumas palavras estranhas e em seguida se envolve com as duas para zelarem o pacto. Mas a Cláudia era p&netr@da no â**s.
O primo coloca um pó e folhas amargas na boca da Cláudia acaba por desmaiar outra vez.
Quando acordou, já era 6h da manhã. Sol de Benguela batendo forte na cara dela. Ela estava sozinha dentro da cova, com terra até o pescoço, nu@, com os braços risc@dos com lâmin@s, e com um bilhete branco em cima do peito dela, escrito com letra vermelha:
"SEJA BEM-VINDA. AGORA VOCÊ JÁ É COMO EU."
Os dois tinham sumido. O Picanto amarelo também.
Cláudia saiu da cova se arrastando e foi até a estrada pedir ajuda. Um motoqueiro lhe encontrou e levou para o Hospital Geral de Benguela.
Hoje, Cláudia está em Luanda de novo, no Cazenga. Mas não é mais a mesma. Não consegue dormir, pois é a noite em que ela tem que viajar para Benguela todos santos dias. Ela tem uma peruca do Brasil agora. Tem iPhone. Tem fotos bonitas todo dia no Facebook. E tem 8 mil seguidores novos.
E toda vez que uma menina comenta na foto dela "Eu também quero ser como você", ela responde no privado."Eu posso te ajudar. Eu vendo perucas."
MORAL DA HISTÓRIA:
Hoje tem milhares de Cláudias. Estão no teu bairro. São meninas de 19, 21, 23 anos, que passam o dia no Facebook a ver a vida de outra. E começam a odiar a própria vida. A achar que a vida delas é lixo porque não tem peruca de 200 mil, porque não tem foto na piscina.
Irmã, você não sabe o que aquela menina fez para ter aquela peruca. Você só vê a foto. Por trás da foto bonita pode ter uma cova aberta te esperando. Inveja no Facebook é o convite que o feiticeiro precisa.